Restaurantes apostam em menus infantis feitos com comida de verdade
Por muito tempo, pedir um prato infantil em restaurante significava encontrar sempre as mesmas opções: fritura, massa simples ou combinações pouco diferentes entre si. Em Minas, algumas casas têm seguido outro caminho, criando menus para crianças que dialogam com a proposta da cozinha e incluem ingredientes frescos, preparos artesanais e sabores que fazem parte da mesa dos adultos.
O assunto também chegou às livrarias. Neste ano, a chef paranaense Manu Buffara lançou "Comidinhas mágicas", escrito com Juliana Dieterich e publicado pela Editora Senac São Paulo, com receitas e histórias para pais e filhos cozinharem juntos. Em Belo Horizonte, Carol Dini publicou "Papilex, a História Invisível dos Sabores", pela Editora Biruta, com ilustrações da educadora Bela Righi. Nas páginas, crianças e adultos passeiam pelas papilas gustativas e descobrem que quase tudo ao redor tem sabor.
Mais do que criar pratos "para distrair" os pequenos, chefs têm pensado a presença das crianças nos restaurantes como uma forma de acolher famílias sem abrir mão da identidade da casa. Em comum entre eles, está a ideia de que o paladar também se constrói na infância.
Na Cozinha Santo Antônio, a chef Ju Duarte conta que o prato infantil nasceu da presença frequente de crianças no restaurante e da vontade de incluí-las na experiência da casa. O menu foge do formato tradicional e traz legumes variados, pipoca de milho crioulo, batata doce palha e pequenas surpresas visuais que despertam curiosidade. "Eu quis fazer um prato com bastante diversidade de legumes para provocar a experiência", explica. Para ela, a criança precisa participar da mesa e ter contato com novos sabores desde cedo.

Foto Ju Duarte
Já no Casulo, restaurante da chef Marina Leite na Lapinha da Serra, a lógica é ainda mais próxima da comida feita em casa. O menu infantil aparece como uma extensão natural da cozinha do restaurante, com pratos menores e preparos pensados para crianças pequenas, mas sem criar uma separação rígida entre "comida de adulto" e "comida de criança". Marina observa que muitas vezes o interesse das crianças nasce justamente da curiosidade pelo prato dos pais e acredita que o hábito de frequentar restaurantes influencia diretamente na formação do paladar.
Na A Casa da Agnes, a chef Agnes Farkasvolgyi preferiu não criar um menu infantil fixo. Quando necessário, os pratos são adaptados na hora, de acordo com a criança e com o que está sendo servido no restaurante naquele dia. Para a chef, a ideia nunca foi criar uma comida infantilizada, mas encontrar formas de incluir as crianças na experiência da mesa sem abrir mão da qualidade dos ingredientes e da identidade da cozinha da casa. No Restaurante Agnes, espaço da chef na CASACOR Minas, os pequenos ganham prato próprio: um mexidinho com filé picadinho, queijo e ovo, servido na marmita.

Foto: Natalia Campos
Além da praticidade para as famílias, os chefs observam uma mudança de comportamento das próprias crianças, que demonstram cada vez mais interesse em experimentar ingredientes, petiscar da mesa e participar da refeição de forma mais ativa. Em vez de menus genéricos, o que começa a aparecer são pratos que acompanham a identidade de cada restaurante e tratam o público infantil com o mesmo cuidado dedicado aos adultos.
SERVIÇO:
Cozinha Santo Antônio
Funcionamento:
Terça a sexta, das 12h às 15h
Sábados, domingos e feriados, das 12h30 às 17h
Quintas e sextas, das 19h às 23h
@cozinhasantoantonio
A Casa da Agnes
Almoços: terça a sábado, de 12h às 15h
Eventos fechados para até 60 pessoas
Informações e delivery: (31) 98738-7066
@acasadaagnes
Restaurante Agnes (CASACOR Minas 2026)
Funcionamento:
Terça a sexta, das 17h30 às 22h
Sábados, das 12h às 16h30 e das 18h às 22h
Domingos, das 12h às 17h
Entrada gratuita para o restaurante
@restauranteagnes
Restaurante Casulo
Funcionamento: terça a domingo
Reservas: (31) 98408-0368
@casulolapinhadaserra

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