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Pai compartilha experiência após câncer de testículo

  • Foto do escritor: Cláudia Rolim
    Cláudia Rolim
  • há 2 horas
  • 5 min de leitura

Quando recebeu o diagnóstico de câncer de testículo aos 44 anos, Junior Baptista era pai de uma bebê de apenas oito meses. Enquanto a filha começava a descobrir o mundo, ele iniciava o tratamento da doença e precisava lidar, ao mesmo tempo, com as incertezas do diagnóstico e o desejo de acompanhar o crescimento de Lucy. Neste Dia dos Pais, sua trajetória chama a atenção para um aspecto pouco discutido do câncer de testículo. Por acometer principalmente homens jovens, a doença também traz reflexões sobre paternidade, fertilidade e sobre o valor do tempo ao lado dos filhos.


A chegada de Lucy já representava a realização de um sonho para a família, que esperou mais de dez anos por esse momento. Apenas oito meses depois de seu nascimento, porém, a rotina mudou completamente.


Tudo começou com um sintoma aparentemente simples. Após um treino na academia, Junior sentiu uma sensibilidade no testículo direito. Como acreditou que o incômodo pudesse ser consequência do exercício, interrompeu os treinos por alguns dias. Na semana seguinte, porém, percebeu um pequeno inchaço e decidiu procurar um urologista. Vieram os exames, a indicação de uma cirurgia de urgência e, pouco depois, a confirmação do diagnóstico.


"Se hoje eu puder deixar uma mensagem, é esta: conheça o seu corpo. Ao perceber qualquer alteração, por menor que pareça, procure um médico. No meu caso, agir rapidamente fez toda a diferença."


A experiência de Junior reforça um alerta importante. Apesar de menos frequente entre os tumores que acometem homens, o câncer de testículo é o tumor maligno mais comum entre adolescentes e adultos jovens, principalmente entre 15 e 34 anos, embora também possa ocorrer até os 50 anos. Quando diagnosticado precocemente, as chances de cura ultrapassam 95%. Para o triênio 2026-2028, estima-se cerca de 1,8 mil novos casos da doença no Brasil.


De acordo com Denis Jardim, líder nacional da especialidade de tumores urológicos da Oncoclínicas, é fundamental estar atento aos primeiros sinais, que muitas vezes passam despercebidos ou podem ser confundidos com processos inflamatórios.


"O paciente pode perceber um nódulo, que na grande maioria das vezes é indolor, ou ainda um aumento e endurecimento do testículo. Apesar de não haver nenhum incômodo ao urinar, é possível notar um volume maior no local da bolsa escrotal. Já durante a higiene, o autoexame periódico pode permitir a detecção de uma eventual alteração na região, identificando que algo está fora do normal e necessita de maior investigação", comenta.


Além dessas alterações, outros sintomas que merecem atenção incluem aumento ou diminuição do tamanho dos testículos, dor imprecisa na parte inferior do abdômen, sangue na urina, sensibilidade dos mamilos (embora rara) e, em alguns casos, puberdade precoce.


Segundo o especialista, o tabu e a vergonha ainda fazem com que muitos homens demorem para procurar ajuda.


"Muitas vezes, quando os sintomas aparecem, os jovens sentem vergonha em se abrir com os pais ou parceiro sobre o assunto. Contudo, conversar sobre o tema e alertar sobre o autoexame é uma maneira que a família pode transmitir confiança e informação de qualidade", orienta o oncologista da Oncoclínicas.


"Meu maior desejo era estar presente para vê-la crescer"


Receber o diagnóstico enquanto vivia os primeiros meses da paternidade mudou completamente a forma como Junior passou a enxergar o tratamento. Mais do que lidar com a doença, ele precisava enfrentar a incerteza de não saber como seria o futuro ao lado da filha que havia esperado por tanto tempo. 


"Foi como estar em uma roda-gigante. De repente, você perde o chão e parece sair de órbita. Mas, para mim, o momento mais difícil não foi receber o diagnóstico, e sim contar para a minha esposa. Nós esperamos durante dez anos e seis meses pela chegada da nossa pequena Lucy e, de repente, surgiu um enorme ponto de interrogação sobre o nosso futuro."


Ao longo do tratamento, as limitações físicas passaram a fazer parte da rotina. Para Junior, o mais difícil não eram apenas as consultas ou a quimioterapia, mas aceitar que seu corpo já não acompanhava o ritmo de uma bebê que descobria o mundo todos os dias.


"O maior desafio foi lidar com a minha própria fragilidade. Com o tratamento, fui ficando cada vez mais debilitado. Enquanto isso, a Lucy, sem entender o que estava acontecendo, só queria colo, brincar e ter o pai por perto. Muitas vezes eu queria brincar mais, pegá-la no colo por mais tempo ou simplesmente acompanhar o ritmo dela, mas meu corpo tinha limitações naquele momento. Isso me machucava muito, porque todo pai quer estar presente em cada fase da vida dos filhos”.


Paradoxalmente, era justamente Lucy quem lhe devolvia forças para continuar. "Acredito que em muitos momentos foi a paternidade que renovou as minhas forças. Nos dias mais difíceis, chegar em casa e encontrar o olhar da Lucy fazia toda a diferença. Ela não fazia ideia do que o pai dela estava enfrentando, mas um sorriso, um abraço ou simplesmente vê-la ali já me davam forças para levantar no dia seguinte e continuar o tratamento."



Preservação da fertilidade também faz parte do cuidado

O diagnóstico de câncer envolve uma série de decisões que vão além do tratamento da doença em si. Em homens com câncer de testículo, uma das conversas importantes com a equipe médica diz respeito à preservação da fertilidade, já que o próprio tumor e alguns tratamentos, como a quimioterapia, podem impactar temporária ou permanentemente a produção de espermatozoides.


Assim como acontece com muitos pacientes, Junior também precisou conversar com a equipe médica sobre a possibilidade de ter filhos no futuro. 


"Desde a primeira consulta com o meu oncologista, ele foi muito transparente e explicou que, caso quiséssemos ter mais filhos no futuro, seria importante pensar no congelamento do sêmen antes do início do tratamento. Foi uma conversa conduzida com muita clareza, respeito e tranquilidade. Ter todas as informações nos deu segurança para refletir e tomar a decisão que fazia mais sentido para a nossa família”.


Segundo Denis Jardim, esse diálogo deve acontecer antes do início da terapia. "Um dos principais procedimentos a serem realizados para preservação da fertilidade é o congelamento de sêmen, que deve ser discutido preferencialmente antes do início do tratamento", explica.


"Mesmo nos casos em que a fertilidade seja temporária, o armazenamento de sêmen é um cuidado importante, pois recomendamos que o paciente aguarde um período após o final do tratamento quimioterápico para ter filhos", complementa o oncologista.


O tempo ganhou um novo significado

Pai de Aline, de 17 anos, e de Lucy, Junior diz que o câncer transformou profundamente sua forma de viver a paternidade. Depois da doença, os grandes marcos deram lugar à valorização dos momentos cotidianos.


"Depois da experiência com o câncer, a paternidade ganhou um significado ainda mais profundo para mim. Quando recebi o diagnóstico, a Lucy ainda era um bebê, e meu maior pedido era tempo... tempo para vê-la crescer, acompanhar cada fase e viver tudo aquilo que um pai sonha viver com uma filha”, diz.


“Hoje eu valorizo muito mais os momentos simples. Um abraço, uma risada, uma brincadeira ou um 'papai' da minha filha têm um valor que eu nem consigo explicar. Aprendi que ser pai não é apenas cuidar do futuro dos filhos, mas estar presente no hoje” finaliza.




Sobre a Oncoclínicas&Co

A Oncoclínicas&Co, um dos principais grupos dedicados ao tratamento do câncer no Brasil, oferece um modelo hiperespecializado e inovador voltado para toda a jornada oncológica do paciente. Presente em mais de 140 unidades em 49 cidades, a companhia reúne um corpo clínico formado por mais de 1.700 médicos especializados na linha de cuidado do paciente oncológico. Com a missão de democratizar o acesso à oncologia de excelência, realizou cerca de 593 mil tratamentos nos últimos 12 meses. Com foco em pesquisa, tecnologia e inovação, a Oncoclínicas segue padrões internacionais de alta qualidade, integrando clínicas ambulatoriais a cancer centers de alta complexidade, potencializando o tratamento com medicina de precisão e genômica. A companhia mantém iniciativas globais como a Boston Lighthouse Innovation (EUA) e a participação na MedSir (Espanha). Integra ainda o índice IDIVERSA da B3, reforçando seu compromisso com a diversidade. Saiba mais em: www.oncoclinicas.com.


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