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Há histórias de amor que acabam bem. E depois há as outras.

  • Foto do escritor: Cláudia Rolim
    Cláudia Rolim
  • há 8 horas
  • 4 min de leitura

Nos dias 3, 4 e 5 de setembro, o Teatro Sá da Bandeira recebe "O Amor É Fodido", uma criação de João Garcia Miguel a partir da obra icónica de Miguel Esteves Cardoso.


Mais do que uma peça sobre o amor, é uma viagem pelas suas contradições: o desejo, o humor, a obsessão, a entrega, o fim… e a estranha vontade de voltar a começar. Entre o riso e o desconforto, entre a lucidez e a cegueira, esta é uma experiência teatral intensa, provocadora e profundamente humana.



"O que propomos é uma obra que trate do amor com todas as peças — uma espécie de Romeu e Julieta contemporâneo em que os amantes se enganam reciprocamente suicidando-se para o amor, continuando apesar de tudo: vivos. Há uma resistência, uma vontade de se começar o que ainda não se começou. O amor dá muito trabalho e perdura até ao dia da nossa morte.


Há uma vontade de rir e de nos divertirmos com a vida. Com tudo o que dói e tudo o que nos alegra.


Preparem-se as ferramentas.


Digam-se coisas. Fale-se incessantemente do amor. Quando chegar o momento, deixaremos de ser homens e mulheres. Seremos apenas seres fodidos. Reconheceremos o nada e tudo o que somos.


Desesperados por recomeçar.


Forçamos a inteligência com as habilidades do amor até que o amor se foda. A inteligência começará então a desaparecer. Mas voltaremos a insistir, afinal somos amorosos e humanos.


Há momentos em que parece que quase vemos.


Depois continuamos cegos.


As obras literárias por um estranho fascínio que as recobrem tornam-se mitos, perduram no tempo e vão-nos falando. Em direto e em diferido. Falam com aqueles que as leem e com os outros que nada sabem delas porque apenas ouviram dizer. As obras mais atraentes e enganadoras são aquelas que se apresentam como testemunhos íntegros e insuspeitos que lhes dão um valor de certeza definitiva.


Os autores, os sofredores dos factos, limitam-se a descrevê-los tal como nós os teríamos vivido. Parece que somos atirados de corpo e mente para dentro daquilo que foi feito e que agora nos é narrado. Levam-nos a acreditar que estamos ali. Somos o actor e afinal estamos vivos. Há uma completa identificação. É o caso da obra: O Amor É Fodido do Miguel Esteves Cardoso. É um livro de uma época e de um estranho personagem que por lá sobreviveu. Todos lá estivemos e por lá vivemos: no amor e no que no amor nos fode.


Qual é, então, a vantagem, de o contar de novo? Ou de o vestir de novo? O autor diz-nos que há algo de sinistro numa mulher que só usa roupa uma vez. Como haverá, dizemos nós, algo de identicamente sinistro em vestir sempre a mesma roupa. É igual com o amor. Há algo pecaminoso em vestir-nos de amor uma vez e de novamente repetir a dose. Ao entrar para dentro do círculo amoroso, fica-se marcado para a vida.


Quem lhe experimenta o sabor percebe que a coisa vai correr bem e surpreende-se depois: mas afinal a coisa pode correr assim tão mal? Quando o abismo chega pergunta-se: porque é que nos fodemos com o amor? Porque não resistimos. É do mal que nos faz. E já agora do bem que nos deu. Parece estar mesmo a pedir.


E o que é que nos pede o amor? Pede que algo em nós se mostre: o mostrengo que se esconde e habita nas profundezas. Pede ao monstro que saia. O amor pede que essa parte de cada um de nós se mostre e em simultâneo se esconda.


É por isso que o amor é fodido. Tudo o que não resistimos de mostrar através do amor tem logo de seguida necessidade de se esconder. As testemunhas, os documentos, os gestos, os traços, as cicatrizes, as lágrimas e os sorrisos obscurecem o amor, pois tudo o que fazemos são estratégias para o disfarçar e foder.


Encolhemos o rabo para esconder tesão. Quem nunca? Ou interrompemos a coisa e fazemos uma pausa para falar da lista das compras.


Vamos ficando cegos.


E continuamos."

João Garcia Miguel

 

Se já amou, perdeu, recomeçou ou simplesmente continua à procura de respostas, esta peça é para si.

Garanta já o seu bilhete e venha descobrir porque é que, afinal, o amor continua a ser fodido.


Ficha Técnica

Texto: Miguel Esteves Cardoso

Adaptação, encenação, espaço cênico e interpretação: João Garcia Miguel

Assistencia a Dramaturgia: Michael Margotta

Direção executiva: Suzana Durão

Direção técnica: Bernardo Santo Tirso

Figurino: Rute Osório de Castro

Fotografia: Mário Rainha Campos e Natacha Ventura

Assistência de direção: Paulo Oliveira e Gustavo Antunes

Apoio à Direcção Artística: Ademir Emboava e Ramadane Matusse

Produção: Janice Mayamona

Apoio Técnico: Léo Emílio

Contabilidade: Irene Gaspar

Comunicação e Design Gráfico: Natacha Ventura

Comunicação Digital: Miguel Durão Hilário

Registo em vídeo: Bruno Canas

Costureira: Teresa Matos

Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques, Daniele Valério e Carina Bordalo


SERVIÇO:

Teatro Sá da Bandeira

Rua de Sá da Bandeira, 108

4000-427 - Porto


Data: 03, 04 e 05 de Setembro 2026

Horário: 21h

Classificação etária: Maiores de 18 anos



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