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  • Foto do escritorCláudia Rolim

Arriana ou Arrifana ? Arrifana de Souza ou Penafiel ??

A lenda de hoje diz respeito a cidade onde eu escolhi morar, Penafiel.


Reza a lenda que a protagonista dessa lenda é uma das mais interessantes figuras de mulher da Idade Média pensinsular, a condessa Mumadona Dias.


Em tempos que lá se vão, Penafiel era o nome de uma zona onde havia várias povoações, a mais importante das quais era Arrifana de Sousa, que chegou a ser cabeça de concelho por foral de D. Manuel I em 1518. Mas, por volta de 950, Mumadona Dias, senhora daquelas e de muitas outras terras, já era viúva do Conde Hermenegildo, que muito chorava. Frequentemente, ia lamentar-se para junto do túmulo do marido, a quem gabava sempre os seus filhos mais novos, Nuno e Arriana, lamentando o espírito aventureiro dos quatro filhos mais velhos.


Na altura das partilhas Mumadona beneficiou os seus filhos favoritos. Estes optaram por viver com a mãe, dizendo Nuno que só a morte os separaria enquanto a irmã alegava que nunca se casaria.


Certo dia, Mumadona Dias recebeu a visita do vizinho e poderoso fidalgo Mendo de Sousa que lhe disse mais ou menos assim:

- Senhora, conheceis quem sou e o que valho. Ninguém se me pode comparar em poderio. E deveis considerar uma honra para a vossa casa que eu queira casar com a vossa filha Arrifana.


Mumadona retificou o nome da filha, Arriana. Mas a verdade é que durante a conversa da pretensão – aquilo nem era bem um pedido ! o fidalgo sempre dizia Arrifana, por muito que fosse corrigido.


Mumadona informou que a filha saberia escolher o noivo mas o fidalgo queria era que a mãe impusesse a filha a casar-se com ele.


Arriana rejeitou o poderoso fidalgo Mendo de Sousa e o mesmo insistia em chamá-la de Arrifana !!!!


Os anos passaram e Nuno, o irmão de Arriana, ficou doente e morreu. Mumadona Dias e sua filha Arriana estavam sempre a chorar a morte do filho e irmão.

  • Para todo o sempre esta há de ser a terra da nossa pena fiel ! - dizia a fidalga.

  • Sim, minha mãe, a pena fiel pelo nosso querido Nuno! - respondia, tristíssima, Arriana.

O tempo passou e mãe e filha vieram a falecer acabando D. Mendo de Sousa por ficar dono e senhor de mais aquelas terras. E, apesar de já estar muito velho, após o enterro das vizinhas, Mendo se apossou de todas as terras ficando muito satisfeito e dizendo que finalmente tudo aquilo era dele. “Não casei com “Arrifana” mas tornei-me dono de todas as suas terras e chamarei-as de “Terras de Arrifana de Sousa”. E assim foi até que em 24 de Março de 1770 D. José I, sabedor da lenda, passou a dar o nome oficial e romântico PENAFIEL no decreto que dizia:


“Hei por bem e me apraz que a dita povoação de Arrifana de Sousa fique criada em cidade com o nome de Penafiel.”


E assim, a 252 anos, nascia a cidade de Penafiel !




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