‘Luz do Sol’ aborda amizade e respeito às diferenças em peça infantil que estreia em agosto
- Cláudia Rolim
- 30 de jul.
- 3 min de leitura
Atualizado: 4 de ago.
Toda vida começa no escuro. Toda história também. É com essa frase que o público é recebido em “Luz do Sol”, espetáculo infantil que estreia neste sábado, 1º de agosto, no Teatro Municipal Domingos Oliveira, na Gávea. Escrita por Adyr de Paula e dirigida por Mariana Consoli, que também assina a colaboração dramatúrgica, a peça fica em cartaz até 30 de agosto, sábados e domingos, às 11h. O elenco formado por Emi Junqueira, Filipe Gimenez, Zé Auro Travasso, Sophia Fried, Andrea Bordadagua, Miguel Ferrari e Pedro Baião dá vida a essa história de amizade, coragem e descobertas.

Crédito das Fotos: Ana Gimenes
No centro da história está Júlia, que nasceu com baixa visão e, com pouco mais de um ano, chega à recém-inaugurada creche “Luz do Sol” depois de duas cirurgias e um transplante. É ali, ao lado dos professores e dos colegas Bento, Clara e o birrento Epaminondas, que ela encontra o acolhimento para vencer seus medos, numa jornada que atravessa o tempo e conduz o público a um final surpreendente e emocionante.
A peça nasceu de um universo que o autor conhece de perto. Dono de uma creche no Rio de Janeiro, a "Ensina-me a Viver" (nome que homenageia sua peça de teatro preferida), Adyr de Paula se inspirou no convívio diário com seus alunos para escrever a história:
"O texto de 'Luz do Sol' surgiu da observação diária sobre as crianças da minha escola. Eu sou apaixonado por elas. A primeira infância é um universo riquíssimo. As crianças têm uma ingenuidade tão bonita, que é impossível não se encantar. Elas possuem uma sabedoria surpreendente, fruto dessa pureza nata. Nós aprendemos muito com elas", conta o autor, que estreou na dramaturgia com "Aos Sábados", peça de 2023 baseada na história de sua própria família.
Assim como o texto surgiu da observação das crianças, a protagonista Júlia também tem raízes na vida real: "Minha intenção era falar sobre diversidade e educação inclusiva. E a inspiração veio de uma ex-aluna que chegou na escola com pouco mais de um ano, logo depois da sua inauguração. Ela tinha glaucoma congênito bilateral. Assim, 'Luz do Sol' é uma obra de ficção baseada livremente em situações e pessoas reais, principalmente no que se refere à trajetória da sua protagonista", revela Adyr.
Embora aborde temas delicados, como o luto, a separação dos pais, o medo e a adaptação escolar, o espetáculo aposta na leveza e no humor para conversar com os pequenos. Na encenação, um dos grandes desafios foi a passagem do tempo: os atores interpretam bebês que crescem diante da plateia, do berçário à vida adulta. "Procuramos construir a passagem do tempo principalmente através dos corpos. No início, os atores trabalham um corpo em descoberta: desequilibrado, curioso, ainda aprendendo a se reconhecer e ocupar o espaço. Depois, a infância ganha mais agitação, impulsividade e expansão. Aos poucos, esses corpos vão encontrando um centro, uma organização e uma presença, até chegarem à vida adulta. Mais do que representar idades, buscamos traduzir corporalmente os estados de cada fase do desenvolvimento", explica a diretora Mariana Consoli.

Para a diretora, que também assina a colaboração dramatúrgica, a montagem propõe ao público uma reflexão sobre o próprio ato de ver."Mais do que reproduzir a experiência visual da Júlia, nosso desejo foi convidar o público a ampliar a própria ideia do que significa enxergar. A baixa visão é um ponto de partida, mas a peça fala, sobretudo, sobre pertencimento, acolhimento e a beleza das diferenças. O centro da história é a potência dos encontros e a descoberta de que enxergar também é reconhecer o outro, acolher as diferenças e perceber aquilo que os olhos, sozinhos, nem sempre conseguem ver", diz Mariana.
Com canções originais, capoeira, balé e muita música em cena, "Luz do Sol" celebra a infância, a amizade e a certeza de que coisas bonitas, como o arco-íris que Júlia tanto espera ver, chegam exatamente quando estamos prontos.
FICHA TÉCNICA:
Texto e Produção: Adyr de Paula
Direção artística e colaboração dramatúrgica: Mariana Consoli
Elenco: Emi Junqueira, Filipe Gimenez, Zé Auro Travasso, Sophia Fried, Andrea Bordadagua, Miguel Ferrari e Pedro Baião
Direção Musical: Isadora Medella
Direção de Movimento e Coreografias: Cleiton Sobreira
Cenografia: Ricardo Rocha
Figurinos: Rycardo Rocha
Iluminação: Valmyr Ferreira
Adereços: Lara Aline
Operador de Som: Felipe Coquito
Operador de Luz: Cristiano Domingos
Camareira: Cacierly Tiengo
Mídias Sociais: Andréa Maia
Assessoria de imprensa: Prisma Colab
SERVIÇO:
Luz do Sol
Temporada: de 1 a 30 de agosto de 2026
Sessões: sábados e domingos, às 11h
Local: Teatro Municipal Domingos Oliveira
Rua Padre Leonel Franca, 240, Gávea-RJ
Ingressos: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia)
Vendas Antecipados: https://bileto.sympla.com.br/event/123940/d/400365/s/2629792
Classificação etárias: Livre
Duração: 60 minutos.

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