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  • Foto do escritorCláudia Rolim

FESTin ON Niterói - Mostra itinerante de filmes em português com acesso on-line e gratuito

Atualizado: 11 de out. de 2022


Imagine poder participar de um festival onde algumas das melhores produções audiovisuais em língua portuguesa vão estar disponíveis para você? É assim no FESTin ON Niterói, uma mostra gratuita e on-line, responsável por exibir, dos dias 11 a 29 de março, o melhor da produção audiovisual em língua portuguesa, através de uma plataforma de streaming ( www.festinon.com). Basta uma inscrição para ter acesso à cultura, hábitos e sotaques de países que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O FESTin ON Niterói é composto por 14 curtas-metragens e 4 longas-metragens que conta com produções de quatro cineastas niteroienses.

A novidade dessa mostra itinerante é que este ano os talentosos profissionais do audiovisual de Niterói também participam do coletivo, com suas premiadas produções. O ingresso da cidade faz jus a alguns fatores relevantes, como o de abrigar uma das mais importantes faculdades de cinema do Brasil e de ser considerada a “cidade do Audiovisual” do Estado do Rio, título que carrega desde 2018. Essa participação foi possível em função da parceria da Casa da Gente Produções com o FESTin – Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa.

O objetivo dessa parceria, que conta com o apoio do Governo Federal do Brasil, Governo do Estado do Rio de Janeiro e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através da Lei Aldir Blanc, é promover um produtivo intercâmbio das mais distintas produções audiovisuais. A programação envolve a exibição de 14 curtas-metragens e 4 longas-metragens, além de promover debates on-line que vão reunir realizadores de Niterói e de diversos países. Além dos filmes brasileiros, o público poderá apreciar produções de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste

Dessa itinerância on-line, também estimulada pela Associação Cultura e Cidadania de Língua Portuguesa (ASCULP) e a União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), o objetivo é fomentar a interculturalidade, a inclusão social e o intercâmbio cultural dos países que têm o português como a língua oficial. E isso ocorre em função da atmosfera criada pelo festival que exibe diferentes culturas e práticas, estabelecendo um respeito mútuo à diversidade dos participantes. No caso de Niterói, esse é o momento ímpar de apresentar o melhor da sua cinematografia.

As diretoras artísticas do FESTin, Adriana Niemeyer e Léa Teixeira, acreditam que o grande atrativo do festival é a sua itinerância e o intercâmbio entre sotaques e culturas dos mais variados países. Para Niterói, o interessante dessa mostra, além do ineditismo, é que os niteroienses vão poder “enxergar uma outra África”. “Procuramos fazer uma abordagem geral dos filmes que representam os países que integram a comunidade da língua portuguesa”, reflete Adriana. Léa ressaltou uma característica marcante de Niterói é que, além da qualidade de patrimônio cultural e histórico, e de ser uma das cidades mais importantes do Brasil, possui uma cultura destacada pela sua diversidade, uma marca do FESTin.

Luana Dias, Foto: Yuri Pinheiro


De acordo com Luana Dias, que assina a direção geral do FESTin On Niterói, é “imensa a alegria em poder fomentar este diálogo entre as produções audiovisuais dos países de língua portuguesa e de Niterói”. “Com essa mostra, o público brasileiro, em especial o do estado do RJ, terá acesso a obras cinematográficas nunca ou raramente exibidas no Brasil, que retratam toda a diversidade e riqueza cultural dos países de língua portuguesa, com especial destaque para a produção dos países africanos. Paralelamente, o público dos demais países da CPLP poderá assistir aos filmes dos realizadores de Niterói, apostando também em talentos e empresas locais", conclui.


Sobre o Festin

O FESTin é um festival internacional que ocorre presencialmente na cidade de Lisboa há 11 anos, no Cinema São Jorge. Em 2020, por causa da pandemia, realizou pela primeira vez uma edição híbrida, com exibições presenciais no cinema e exibições online, através de sua nova plataforma streaming, FESTin ON. Desde sua origem, o festival é itinerante, já tendo passado também, presencialmente, por outras cidades portuguesas, como Faro e Porto, outros países da CPLP, como Brasil, Cabo Verde, Timor-Leste, São Tomé, e países interessados nas culturas dos países de língua portuguesa, tais como Itália e Tunísia.


Por dentro da produção Niteroiense

Os quatro niteroienses que têm se destacado em suas recentes trajetórias e que fazem parte dessa mostra são Ivan de Angelis, Marina Pessanha, Rosa Miranda e Éthel Oliveira. Algumas dessas produções, todas elas de alta qualidade, foram premiadas em vários festivais. Além da exibição, eles também vão marcar presença no “Conexões FESTin ON Niterói”, que são rodas de debate compostas por temáticas voltadas para o desenvolvimento do cinema na cidade.

  • Abismo” – o curta, produzido por Ivan de Angelis, um dos organizadores do Cine Solar do Jambeiro, se destacou entre os demais, recebendo vários prêmios. Sinopse: durante 40 anos Juvenal trabalhou como porteiro de um edifício. Por fim, acaba se tornando um prisioneiro.

  • Tokio Mao – O Último Kamikaze” – a roteirista e diretora de documentários e programas de TV, Marina Pessanha, explorou o universo de Tokio Mao. Sinopse: trata-se de um ex-piloto kamikaze de 91 anos, que sobrevive à guerra e vai parar no Brasil, por conta de um trabalho como engenheiro químico. Ele nunca mais voltou para o Japão, tornando-se professor de karatê em Niterói, há mais de 40 anos. Prêmio: considerado melhor filme no Festival Cine Esporte 2019.

  • Privilégios” – a roteirista, pesquisadora e diretora Rosa Miranda produziu um documentário sob um tema pontual. Sinopse: realizado durante as ocupações do Instituto de Artes e Comunicação da Universidade Federal Fluminense, filmado em 2016 e finalizado em 2018, o curta propõe uma reflexão sobre os privilégios que se tem na sociedade. Prêmios: Rosa conquistou o prêmio no Festival EngeCine 2018 de Melhor Documentário com o seu filme “Lua”.

ROSA, o que te levou a produzir o documentário Privilégios ?

O filme Privilégios surgiu de um questionamento da minha mãe, em 2015, sobre qual é o problema da meritocracia. Minha mãe é uma mulher negra retinta e fiquei pensando muito sobre isso, na época. Então, no ano seguinte, decidi que faria um filme do ponto de vista de como é ser branco no Brasil e, como tal, ter privilégios. Queria saber se as pessoas pensavam assim. A meritocracia é uma falácia porque existem privilégios, sim. Existem oportunidades que são dadas para uns e que não se estendem a todas as pessoas. Então o estopim foi esse: não dá para falar de meritocracia sem falar de privilégios. Em 2016 eu gravei o filme e, em 2018, lancei.

Quais são os privilégios que você aborda no documentário e qual é a sua opinião sobre ter “privilégios” ?

O filme Privilégios não tem uma resposta. A missão dele é apresentar diversos pontos de vista sobre o que são os privilégios. Mas, dentro desse assunto, eu vou puxar para as relações raciais no Brasil, procurando entender como elas se baseiam no nosso país. Pergunto se a política de ação afirmativa, a chamada cota, é um privilégio. Na minha opinião, para a população negra não é dado nenhum privilégio. Na realidade, são vantagens sociais que, às vezes, conseguimos. Seja conseguindo alcançar espaços, quando muitas vezes acabamos sendo os únicos. Mas, gradativamente, em função das políticas afirmativas isso tem mudado. Eu acredito que, se as pessoas refletissem e dialogassem sobre privilégios, elas entenderiam que em momento algum o movimento está acusando alguma coisa. O que nós falamos é: reconheçam os seus privilégios e pensem como eles podem ser usados em prol do outro. Ou seja, como pode ser usado para o coletivo. Como mudar essa lógica? Isso não é uma acusação, é um fato. Agora, o que você faz com ele é que faz a diferença.

Rosa, você ganhou vários prêmios com o filme Lua. Fale-nos sobre Lua.

Lua é um filme que começa com o meu encantamento pela personagem principal: Lua Guerreiro, uma mulher preta, trans, periférica, figurinista, que trabalha com cinema e audiovisual, uma modelo. Eu me encanto com essa pessoa, desde o primeiro momento que a conheci. É uma forma de apresentar outra realidade para corpos que são vistos, comumente, com a imagem da violência, da degradação e da prostituição. Eu queria mostrar outras realidades dentro desse corpo.

Pra finalizar, você Já está preparando algum outro documentário, Rosa ?

Não tenho no momento nenhum projeto de documentário, mas sim de ficção que está na fase da captação para filmar no ano que vem ou tão logo a pandemia acabe. Afinal, primeiro a vida! Eu roteirizei esse projeto e vou assumir a direção desse curta que conta a história da minha mãe e da minha avó. Duas mulheres negras, pretas, periféricas, de gerações e oportunidades diferentes e que não tem uma relação muito afetuosa, mas que conseguem resgatar tudo isso e fazer com que valha a pena. Quero falar sobre amor e sobre a história da minha família. Estou muito empenhada para isso.


  • Arremate” – documentarista, cineclubista e montadora, Éthel Oliveira optou por um filme de curta duração, apoiado na teoria existencialista. Sinopse: o documentário se passa em uma confecção de roupas, onde, além das roupas, se constroem tramas de afeto que transitam entre a região da Baixada Fluminense e o bairro da Lapa.

Alguns destaques da programação

- PORTUGALo documentário “Os Últimos Dias”, dirigido por Cristina Ferreira Gomes, foi premiado no 11º FESTin Lisboa – Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa, em 2020. O filme revela um olhar íntimo para a atividade de jornalistas independentes e para a vida das famílias que habitam um prédio de ocupação, revelando o drama diário, crescente e intenso sentido na sociedade brasileira. E tudo isso se passa nos derradeiros dias da campanha para as eleições presidenciais brasileiras de 2018.

A Margem

Portugal / Brasil, 2019, 15 min., Ficção - Drama | Realizador: Rodrigo Tavares | Leg. EN

Com: Luiza Oragoso, Beto Coville.

Sinopse: Maria é uma senhora humilde que abdicou da vida pessoal em favor do irmão

João, que vive em estado vegetativo devido a um acidente de infância. Sozinha e

desamparada, Maria descobre que tem uma doença grave e tem que decidir como

lidar com João, incapaz de sobreviver sem sua ajuda.

Biografia do Realizador: Rodrigo Tavares, ao lado de Marcelo Galvão, realizou a longa-

metragem Quarta B, prémio de público na 29º Festival de São Paulo. A partir daí

realizou mais 4 longas-metragens, Lado B, como fazer uma longa sem grana no Brasil,

Bellini e o Demônio, Rinha e Colegas, colecionando vários prémios. Finda a parceria,

passou a atuar em seus próprios projetos.

Prémios: Melhor Curta (11º FESTin Lisboa – Festival de Cinema Itinerante da Língua

Portuguesa, 2020).

CABO VERDE/PORTUGAL – “Os Dois Irmãos” é outro destaque da programação. O filme, dirigido por Francisco Manso, se desenrola em torno de um imigrante em Lisboa, André. Após receber uma carta do pai, ele se vê obrigado a regressar a Cabo Verde com a missão de limpar a honra da família. Mas, acaba se sentindo dividido entre a pressão do pai e da aldeia, e a amizade e ternura que sente pelo irmão, João.

- MOÇAMBIQUE – “A Gravidez é Nossa” é um curta de David Aguacheiro e Tina Krüger que retrata as diferentes fases de quatro homens que vivem uma comunidade rural moçambicana. Esse período vai, desde a primeira namorada até a espera pelo primeiro filho ou o casamento de muitos anos. O que eles têm em comum é o desejo de mudar a maneira tradicional como os homens da sua comunidade enxergam a contracepção, a gravidez, o cuidado com as crianças e as tarefas domésticas. O filme levou a menção honrosa no 11º FESTin Lisboa de 2020.


FICHA TÉCNICA

FESTin ON Niterói

Quando: 11 a 29 de março

Onde: exibição online e gratuita pela plataforma streaming https://festinon.com

Como assistir: basta fazer o cadastro no link para ter acesso aos 14 curtas-metragens e 4 longas-metragens de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Alguns filmes contam com recursos de acessibilidade comunicacional: tradução em LIBRAS ou LSE (Legendagem para Surdos e Ensurdecidos).

Observação: Além dos filmes, vão ocorrer três debates online entre os realizadores dentro da mostra.






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