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Em Bragança aproveite para visitar a "Exposição Júlio Pomar: Coleção Atelier-Museu"

A Câmara Municipal de Bragança convidou o Atelier-Museu Júlio Pomar a levar a sua coleção ao Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, em Bragança, dando continuidade ao seu programa de itinerâncias, posto em prática desde a sua abertura. Estas exposições no exterior têm como intuito dar a conhecer a obra de Júlio Pomar (Lisboa, 1926 - 2018) um pouco por todo o país, tornando o seu acesso cada vez mais plural.



Em 2023, o Atelier-Museu Júlio Pomar celebrou uma década de existência e de atividade no tecido cultural português e voltou a partilhar com o público, na exposição «Júlio Pomar. 10 Anos de Museu», os núcleos fundamentais do seu acervo, entretanto enriquecidos com outras obras e novos conhecimentos. Criando condições de estudo e mantendo a obra de Pomar numa constante proximidade com o público, através de um variado programa de exposições – individuais ou coletivas, com artistas mais e menos contemporâneos –, o Atelier-Museu promove e possibilita a descoberta, a redescoberta, a validação e a reinterpretação do trabalho de um artista que marcou a História da Arte portuguesa.


Ao longo de quase 11 anos, o AMJP fez também investimentos vários, nomeadamente no que respeita ao seu acervo, adquirindo novas obras e recebendo, em doação, por parte da Fundação Júlio Pomar e dos herdeiros do artista, um número significativo de peças que enriqueceram as possibilidades de trabalho e de autonomia.


A exposição que agora se apresenta em Bragança engloba algumas obras de Graça Morais, artista por quem Júlio Pomar nutria grande amizade e com quem, certamente, teria gostado de se reencontrar.


Em «Júlio Pomar: Coleção Atelier-Museu» destaca-se, pela sua atualidade, o conjunto de estudos e documentos alusivos às pinturas murais que Júlio Pomar fez no Cinema Batalha, no Porto. Iniciadas em 1946, quando Pomar tinha apenas 20 anos, só ficaram terminadas no final de 1947, pois o artista foi, entretanto, detido pela PIDE. Julgadas perdidas para sempre, acabaram por ser recentemente descobertas e recuperadas, depois de eliminadas as sete camadas de tinta que as cobriam, entre elas a da censura que, em 1948, havia decidido ocultá-las para sempre.


Surpreendente pelo seu caracter disruptor e plástico, outro dos núcleos expostos inclui retratos e autorretratos, um género que o artista nunca deixou de praticar pelo desafio que o rosto e a devolução do olhar continuamente envolvem.


Complementando este núcleo, surge um inédito conjunto de retratos do próprio Pomar, feitos por amigos como Menez, Luísa Correia Pereira, Eduardo Luís ou Álvaro Siza Vieira.


De salientar, ainda, um bestiário, de animais mais e menos estranhos, que transporta em si o carácter irónico e desafiador das convenções, característico do trabalho de Pomar.


Nesta abordagem em torno da coleção, não ficaram de fora peças diversas que se relacionam ou partem de obras literárias e que sempre constituíram uma fonte de inquietação e exploração para Pomar. Neste grupo, encontram-se duas das maiores e mais significativas telas do acervo do Atelier-Museu – Cartilha do Marialva e Navio Negreiro – que espelham temas caros a Pomar, mas, sobretudo, materializam os processos do trabalho e das metodologias que o artista desenvolvia frente às telas, num corpo a corpo de idas e voltas, recuos e avanços, camadas e sobreposições de tintas, planos e instrumentos diversos, originando ecrãs de cores e formas.


Extensas e diversas, mas principalmente prolificas, foram também as suas abordagens ao erotismo. Nas obras expostas, percebe-se como Pomar funde corpos e objetos estranhos, numa experiência absolutamente inovadora no seu percurso, que deixa de lado géneros, posições de força ou a natureza das relações: feminino e masculino, presa ou predador, corpo humano e fera, em uníssono, lançados numa mesma dança e num só tempo.


Preservar, conservar e trabalhar o legado artístico e intelectual de Júlio Pomar e rever, através dele, narrativas eventualmente mais cristalizadas faz parte, desde sempre, da missão do AMJP. Manter próxima dos públicos a obra do artista, cuja vida durou quase um século, é uma forma de lhes permitir, também, aprender com ele sobre arte, sociedade, política, história, resistência, luta, amor, entre outros domínios da vida.


SERVIÇO:


Centro de Arte Contemporânea Graça Morais

Rua Abílio Beça, 105 , Bragança - Portugal

5300-011

Tel: +351 273 302 410


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